HISTÓRIA

Ter contacto com o café do Fogo é ter o privilégio de degustar um dos melhores cafés do planeta. É ter a sensação que teve Winston Churchill, primeiro-ministro britânico que após provar o café do Fogo tornou-se um apreciador de primeira linha desta bebida, reportando a sua qualidade para o mundo.

Café do Fogo

A sua introdução na ilha do Fogo terá ocorrido no século XVIII, aquando da instalação do morgadio de Monte Queimado no concelho dos Mosteiros, pelo seu primeiro proprietário, Pedro Fidalgo de Andrade.

A espécie coffea arábica é produzida há cerca de 200 anos, numa altitude que varia entre os 350 e os 1300 metros. Aqui, em solos vulcânicos, abençoados por microclimas especiais, o café é cultivado em matéria orgânica rica, sem nenhum recurso a maquinarias e, até então, regado apenas pelas chuvas, que em Cabo Verde são inconstantes.

O café do Fogo é 100% biológico. Este facto faz dele um café especial. Não é de estranhar que tenha tanta fama, apesar de ser produzido em pequena quantidade. Após atingir as 500 toneladas em 1900, actualmente a produção é de pouco mais de 100 toneladas anuais.

A maior propriedade unificada de produção do café do Fogo é a de Monte Queimado. Morgadio que que perdura há seis gerações e que se mantém numa propriedade indivisa por mais de 80 co-herdeiros.

É a partir destas terras nos Mosteiros que o café de Cabo Verde começou a ganhar fama, sendo contemplado com prémios internacionais. Em 1917 e em 1918 foi distinguido na exposição agrícola da Praia.

A fama galgou terras lusas, destacando-se em colónias portuguesas como Angola, Brasil, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Em 1934, o café do Fogo foi medalha de ouro da Exposição Colonial no Porto, sendo considerado o melhor café do império português. Por esta altura já era um dos produtos ultramarinos com maior influência na Balança Comercial do país.

Em 1954 outra distinção. Agora na grande exposição da Índia portuguesa.

As distinções internacionais ao café do Fogo não pararam. Mais recentemente, a qualidade deste café produzido nas terras alimentadas por matérias vulcânicas e microclimas, foi reconhecida por entidades de notoriedade mundial como a norte-americana

A fama é tanta que atraiu o investimento de europeus. Em 2011, o governo holandês, através da Trabocca, conhecida mundialmente, começou a investir na revitalização do Café do Fogo.

Assim nasceu a Fogo Coffee Spirit, uma “joint venture” entre a empres Trabocca e a Capital Consulting que está a levar o café do Fogo à Europa e à Ásia, perspectivando agora a sua introdução no mercado americano, onde já é levado por pequenos produtores e por emigrantes cabo-verdianos.

Esta unidade de transformação do café é um ponto turístico obrigatório no município dos Mosteiros.

Uma boa altura para visita é a época das colheitas, que, no Fogo se registam entre os meses de Fevereiro e Março.

Café do Fogo

Por esta altura acontece também o Festival do Café do Fogo, na cidade de Igreja, concelho dos Mosteiros. Um evento institucionalizado em 2013 e que visa promover o café da ilha. Um produto de excelência, reconhecido em 2007 pela empresa norte-americana ‘‘Coffe Solution’’, credenciada a nível internacional nessa matéria, que realizou o seu teste de qualidade.

Este é certamente um produto que o visitante vai querer levar na sua bagagem como lembrança. Está disponível em lojas locais (inteiro, torrado ou moído) a custos a partir dos 250 escudos. Se preferir, também pode ver o processo todo de preparação artesanal, nas zonas altas próximas das extensões cafeicultivadas. Um programa que quem já experimentou recomenda.

Em São Filipe, além de saborear um café feito na hora, pode também presenciar à sua preparação desde a torrefacção na empresa Djarfogo.